domingo, 4 de março de 2012

Rocinha, a favorita: baile funk na quadra da escola de samba da favela reúne mais de 3 mil pessoas

Mais de 3 mil jovens frequentam o baile funk da Favorita, na Rocinha
Mais de 3 mil jovens frequentam o baile funk da Favorita, na Rocinha.
Daniel Soares e Hugo Gutierrez são jovens, bonitos e ricos. Numa sexta-feira de fevereiro, 22h50m, os dois, cerveja importada numa das mãos, iPhone na outra, riem, tiram fotos e se preparam para a diversão que vai começar. Os dois já fizeram todo o circuito de luxo da noite carioca: Zozô, Clube Praia, 00, Bar do Copa. Agora, Daniel e Hugo querem algo diferente. A dupla — e outros milhares de playboys e patricinhas, a juventude dourada do Rio — encontrou ao pé da Rocinha a versão alternativa para se divertir. No Baile da Favorita, na quadra da Acadêmicos da Rocinha, a cidade partida se encontra e requebra ao ritmo do funk.

— Já fomos tanto a esses lugares que agora buscamos noites mais alternativas — explica Hugo, havaiano e treinador da equipe de base do Barcelona, derrapando no português.
Enquanto a dupla faz a "pré- night", o local vai ficando cheio de louras malhadas e bronzeadas — seus principais "alvos" na festa de funk que acontece uma vez por mês no local e reúne mais de três mil pessoas, desde junho de 2011.

Paulinha e Ariadna do BB estiveram num camarote no baile funk
Paulinha e Ariadna do BB estiveram num camarote no baile funk.
Assim como Hugo e Daniel, grande parte do público vem de Ipanema, Leblon, Gávea e Barra da Tijuca. A maioria (por causa das blitzes da Lei Seca) prefere os táxis, mas muitos desfilam seus carrões (Hillux e Captiva são exemplos) e pagam R$ 10 por uma vaga "a noite toda", como oferecem os flanelinhas.
O preço é baixo comparado ao dos ingressos, que variam de R$ 60 a R$ 120 de acordo com os lotes e o sexo da pessoa e com as bebidas à disposição dentro do baile: a noite é regada a cerveja (Itaipava por R$ 5), uísque (a garrafa de Balantines por R$ 350) e ao combo vodka Absolut + seis energéticos TNT (também R$ 350).

Kelly Andrade e Penha Iraci Graça, vendedoras de doce, faturam até R$ 500 por baile
Kelly Andrade e Penha Iraci Graça, vendedoras de doce, faturam até R$ 500 por baile Foto: Fabiano Rocha
Ainda do lado de fora, seis crianças, moradoras da Roupa Suja (localidade mais pobre da Rocinha) pedem dinheiro escondido dos pais "para comprar bala". O alto poder aquisitivo do público também é percebido pelas vendedoras de chiclete e cigarro. Rosa Cristina da Silva garante faturar mais de R$ 500 por baile.
Na entrada do baile, sete seguranças de terno (de uma equipe de mais de 30) garantem o clima organizado da festa. Por volta de 1h, o salão vai enchendo e as meninas, se soltando. Mas é por volta das 3h, quando Naldo sobe ao palco, que a animação toma conta.
Artistas, atletas e nenhuma briga
MC Sapão e Márcio G, as outras estrelas da noite, já se apresentaram e colocaram as patricinhas e os mauricinhos para dançar. Além de estudantes, engenheiros, jornalistas e advogados, o baile reúne atores da TV Globo, ex-BBBs e atletas. Na edição de fevereiro, Sérgio Malandro, Ariadna, Minotauro e Lívia Lemos circulavam entre os anônimos. No segundo andar, camarotes a R$ 3 mil para dez pessoas. Durante toda a noite, nenhuma briga é vista.

A mulherada desce até o chão com o pancadão do funk
A mulherada desce até o chão com o pancadão do funk.
Nascida e criada em Ipanema, Carol Sampaio garante que sempre gostou e apoiou misturas e a interação favela-asfalto. Mesmo fazendo balé e teatro, não largava as aulas de boxe no Morro do Galo.
— Cismei que queria o meu baile funk. Me chamaram de maluca. Desde o primeiro, foi um mega-sucesso. É para as patricinhas lavarem a alma — empolga-se.
Carol é chamada de "madrinha" pelos funkeiros e já foi tema de uma música de MC Marcinho — A Favorita, origem do nome da festa. Nascido na favela Nova, no Complexo do Alemão, Jefferson Fernandes Luiz, o MC Sapão, atualmente roda o país em 25 shows por mês, mas marca ponto em todos os bailes da Favorita:
— No começo, ficava deslumbrado com os artistas, as celebridades. Agora, já me sinto confortável.

Fonte: Extra

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