quinta-feira, 15 de março de 2012

‘Era incontornável rever acordo com México’, diz Pimentel


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Ministro do Desenvolvimento demonstrou satisfação com a queda da cota de carros mexicanos que podem entrar no País neste ano, no valor de US$ 1,4 bilhões

15 de março de 2012 | 18h 08

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo
GOIANA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior, Fernando Pimentel, avaliou como "muito razoável" a revisão do acordo automotivo bilateral com o México, que deve ser finalizado nesta quinta-feira, na Cidade do México, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e a chanceler mexicana Patricia Espinosa. Pimentel disse ainda que "era absolutamente incontornável rever esse acordo". (Veja abaixo trechos da entrevista).
Pimentel participou das negociações ontem, com o ministro da Economia mexicano Bruno Ferrari, e deixou Patriota encarregado de negociar uma última pendência: o prazo para se atingir as metas de conteúdo regional que hoje é de 30% e deverá chegar a 45% - de forma escalonada - nos próximos quatro anos.
O ministro demonstrou satisfação com a queda da cota de carros mexicanos que podem entrar no País neste ano, no valor de US$ 1,4 bilhões. "No ano passado o México exportou US$ 2,1 bilhões de automóveis para o Brasil", afirmou, ao reconhecer que o México "está abrindo mão de parcela significativa das exportações", mas em troca tem a garantia da manutenção do acordo "por mais não sei quantos anos".
Fernando Pimentel fez as afirmações em entrevista, no município de Goiana, na zona da mata pernambucana, onde participou do lançamento da obra da primeira fábrica de vidros planos do Nordeste, a Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP), investimento de R$ 770 milhões do grupo Cornélio Brennand. A fábrica deve começar a operar no próximo ano e vai atender à indústria da construção civil, moveleira e automobilística.
No seu discurso, o ministro já havia se referido à necessidade da revisão do acordo automotivo com o México, "que hoje aponta um déficit muito grande contra o Brasil". Sem essa revisão, segundo ele, a fábrica da Fiat - que será construída em Goiana com inauguração prevista para 2014 - correria o risco de não ter mercado. Ele destacou que o governo não pode ser acusado de protecionismo. "É defesa de mercado para as empresas que produzem no Brasil", afirmou.
Desindustrialização
Pimentel considerou "equivocadas" análises sobre a economia brasileira que afirmam que o País passa por um processo de desindustrialização. "É verdade que nossas indústrias têm dificuldades", afirmou, ao citar "a concorrência desleal que vem de fora e as taxas de câmbio que estão sendo corrigidas, oriundas das taxas de juros durante muito tempo elevadas".
"Todas são dificuldades que conhecíamos, sabemos e podemos enfrentar", garantiu. Depois de ouvir o governador Eduardo Campos (PSB) sobre o crescimento econômico e industrial pernambucano, o ministro disse que sairia dali com um novo argumento para os que levantam a tese da desindustrialização: vai convidá-los a conhecer Pernambuco e o Nordeste.
Confira abaixo trechos da entrevista com Fernando Pimentel:
O Brasil teme uma invasão de carros importados?
Não, invasão não é bem o termo. Temos que defender nosso mercado, não é protecionismo. Defesa do mercado está prevista nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra práticas predatórias, desleais.
Isto ocorreu com o México?
No caso do México não era isso. Era um acordo firmado e negociado em 2002. Há uma grande diferenças das economias daquela época para hoje. Era absolutamente incontornável rever esse acordo.
Quando começaram os problemas?
Os problemas começaram em 2007, com uma mudança que se aprofundou violentamente em 2010/11. Aí se tornou um verdadeiro surto, que levou à revisão do acordo.
Será necessária a revisão de acordos automotivos com algum outro país?
Não, por enquanto não.

Fonte:Estadão

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